Sobre Todas as Coisas

Terça-feira , 28 de Novembro de 2006

Já pedi pras fadas e deusas lhe avisarem que eu penso em você todos os dias
Que você mesmo longe ainda me provoca o riso
Que eu sinto muita falta do seu abraço
Já pedi pra elas pedirem pra você me visitar em sonhos
Já contei que comi um toblerone por você e que eu não te esqueço nunca
Agora, peço à elas que lhe dêm um abraço bem gostoso e bem demorado por mim
Feliz Aniversário, meu amado Arthur Netto!!!!





Quarta-feira , 22 de Novembro de 2006

Como pode uma pessoa se tornar tão especial e tão necessária em tão pouco tempo?

 

Vinicius explicou-me muito bem em um de seus poemas no qual ele diz que a amizade não se mede com o tempo, porque amigos se reconhecem.
Eu reconheci poucos amigos durante estes meus vinte e tantos anos. Amizade é coisa séria e ao mesmo tempo, não é nada séria... Amigo se acolhe, amigo coleciona risadas com você, danças, festas...À eles também mostramos nossas lágrimas... Lágrimas a gente não mostra para qualquer um, não...lágrimas assim como o silêncio, nós só dividimos com quem é mesmo muito especial. E assim como o meu querido poeta - Mário Quintana (sim, meu poeta! Meu!! Rs...) também acho que amizades não são explicáveis, entretanto, vou me pôr numa ciranda para contar a sensação doce do nascimento de uma amizade, hoje tão necessária e importante em minha vida, ainda que recente.


Me lembro perfeitamente da primeira vez que a encontrei, eu estava cantando, um barulho danado, ninguém ligando muito pra música, mas de repente alguém me sorri como quem diz: "eu estou adorando", sabe-se lá como essas coisas mudam a vida da gente? Mudam. Aliás, gestos e palavras mudam o mundo...E foi num "táuba de tiro ao Álvaro" que reconheci minha amiga.

Curioso...Minha amiga me chegou no momento em que eu estava passando por uma situação tão difícil... No momento em que eu estava experimentando o gosto da despedida. Sim, eu já perdi um grande amigo...Isso poderia passar batido nessa história, afinal estou aqui para falar apenas de coisas boas, mas acontece que foi nesses atalhos tristes que recebi um e-mail dizendo: "Olha, se você precisar de alguma coisa, eu estou aqui"...Minha amiga nem me conhecia direito, e já era minha amiga.


Tá...é verdade... Cazuza também tinha razão, a vida é mesmo louca, arrebata a gente com a dor da despedida, e depois sem que esperemos nos presenteia com a alegria da chegada.


Mas para mim foi mais que isso, minha alegria estava muito além da chegada, pois, quando me vi estava sentada numa sala amiga, ouvindo músicas com uma companhia amiga, falando de dietas e comendo um monte de coisas gostosas com uma amiga, dançando, e rindo bastante, rindo, rindo, rindo muito mesmo. A tristeza calou.


Meu enredo é a alegria, e carrega um bocado de aprendizado: Tenho pra mim que o segredo da vida é a troca de aprendizados, e nesse assunto, acho que tenho ganhado muito mais do que doado. 

Minha amiga me ensina o tempo todo...Ela sabe olhar para simplicidade com amor, ela consegue olhar além dos olhos e se emocionar com histórias de vidas, mais: ela cuida de todos que passam pela sua "rua", só enxerga o belo, o bom, aproxima pessoas, une caminhos...Tem um coração que quase nem cabe dentro dela... E melhor: Ela ri de todas as minhas palhaçadas e ainda diz que eu deveria tentar as artes cênicas, ou enveredar para o humor. Olha que olhar mais clínico ela tem...rs...Como é que ninguém havia percebido isso antes? Posso saber???


O fato é: hoje é um dia especiail, aniversários são sempre especiais, afinal, é um dia em que comemoramos a vida, a nossa vida.


E, como a vida fica mais divertida com a Neide, mais dançante, mais musical, mais generosa...Eu queria dar um jeitinho de registrar toda minha admiração à ela aqui, mais, eu queria que ela soubesse que meu mundo voltou a sorrir depois que ela me acolheu como amiga. Eu queria agradecer, mas eu queria agradecer muito, de uma forma que eu nem sei como se faz...E é isso...É muito bom sentir orgulho de uma amizade.

Eu tenho muito orgulho dessa minha antiga (tenho para mim que a gente já dançou uns cacuriás juntas em outras vidas, e tá...tudo bem...ela levava mais jeito do que eu para tal proeza) amiga que nem liga d'eu ficar batendo nas suas caixas de alfaia (ai, será que acertei?)fora do compasso. E quer saber? confesso: o Baratotal fica engraçado quando está lotado ,e, abriga em seu espaço 3 por 4 duas pessoas sóbreas que após dois minutos começam a passar mal...rs....


Neide, eu sei que a felicidade não vai perder o seu endereço nunca, e você sabe que isso é tudo o que eu desejo à você. Não sabe?

Te Adoro, mesmo. Feliz Aniversááááriooo!!!!                                                                                                                                             





Quarta-feira , 08 de Novembro de 2006

Minha terça - feira começou super bem, primeiro fui ao meu quintal dá uma limpadinha, uma varrida daqui, uma tirada de pó de lá, porque não por menos, eu ia receber uma galera para um encontro musical. Inocente que sou levo comigo a Sarah, minha labradora linda e neném. Eis que, de repente, a pastora alemã do meu irmão decide me odiar: me ataca, me deixa toda ralada, toda roxa, toda detonada, com dor na coluna, arrebentada (sim, é verdade).
Ai... eu fiquei tão triste sabia? Peguei uma vassoura e saí correndo atrás dela, e os vizinhos saíram todos na janela pra ver a cena, praticamente um ringue: Aline X Helga. É claro que ela ganhou...

Depois vou tomar um banho e vou fazer comidinhas pros meus amigos, mamãe me ajuda fazendo os salgados e eu me empenho nos doces. O dia passa, passa, passa, e a Neide chega um pouco antes, exatamente como havíamos combinado, e não sozinha, com ela trouxe 3 caixas, 3 saias, um bongo e um monte de bolachas e pães. Vamos arrumar a mesa, cheia de coisas, ficou linda. Parecia até um coquetel (ta, to dramatizando)

As horas vão passando, passando, passando...E a gente começa a perceber que ninguém nos levou muito a sério, e que a gente estava prestes a tomar uma "caldo" de todo mundo, e pior: Tomamos!!! rs...

Vou então ao quarto do Augusto, meu sobrinho, de 15 anos, e conto o acontecido, ele fecha o livro que estava lendo, se levanta da cama e comemora:

-EEEEEEEEEBAAAA então eu vou dançar com vocês, vamos vamos

Abandonamos então a idéia do quintal e ficamos numa sala - Neide, Augusto e eu...ah, e a Sarah que também dançou com a gente. Ficamos com as comidas só pra gente, e com um espaço todo só pra gente. Rs.....(mas perdemos bastante calorias, ok?)

Aí o telefone toca... É o Dudu me avisando com 1 dia de antecedência que ele não poderá vir ao ensaio...bonitinho, né?

Hoje só me restou fazer um texto contando a história...Eu já estava quase chegando no meu último ponto final quando o computador reiniciou...Perdi tudo...Então decidi fazer qualquer coisa mesmo...

Eu acho que não estou numa maré de sorte...rs....





Segunda-feira , 06 de Novembro de 2006

Sabe que pensando bem, a gente nunca diz tudo...
Mas em compensação penso que existe sempre um pouquinho de quem amamos em nós, o  que acaba nos tornando muito mais múltiplos do que podemos imaginar...
E se eu sou um pouco de quem amo, tenho um pouco de você e, ter um pouco de você é para mim uma alegria sem tamanho...
Você me ensinou (não sei se aprendi) que é preciso amar sem medo do amor.
Me acolheu um pouco como irmão, um pouco como cuidado, um pouco como alegria, um pouco como piada, um pouco como diretor, e inteiro como amigo...
Gostoso olhar pro mundo e ver que nele existem muitos pedacinhos de você nas pessoas...
Ao mesmo tempo, difícil olhar pro mundo e só te encontrar em outras pessoas e em outros corações...
Porque há certas coisas que só pertencem a nós: O jeito de andar, o jeito de tirar sarro, o jeito de amarrar os cabelos, o jeito de abraçar, o jeito de se ser o que se é...
Se eu soubesse algo sobre a vida, talvez entenderia tudo isso
Mas não entendo, e nada sei
Só sei que eu não consegui dizer tudo,
Só sei que eu não sabia que os seus torpedos me faziam tão bem...
Tão pouco me dava conta de que o orkut sem seus recadinhos fica sem graça...
E sabe?  passar a sexta em casa na certeza de que não vou receber sua visita- surpresa me faz gostar menos de pudim de leite...
O seu pedacinho que vive dentro de mim me faz ser uma pessoa melhor...
E já é novembro...O mês que eu sempre reservava única e exclusivamente para contar os dias para o seu aniversário...
Hoje me dei conta de que nossos diálogos sempre vinham acompanhados da palavra Amor e  Saudade...Engraçado, né?
TE AMO, meu amigo, meu palhaço, TE AMO.

1.amoooor saudade, pazt! tenho ensaio. De: Arthur Netto  
2.Parabéns, meu amor, te ligo mais tarde.
3. Ni, vc sabe de sua importância em minha vida. Eu te Adoro, sua coisa!
4.Acabei de ver você de azurrrr. Saudade...

                                                                                                                                                                                             

 





Domingo , 05 de Novembro de 2006

Eu achei que seria melhor excluir as conversas emêéssiênicas porque essas conversas dão asas às imaginações...E é "blogando" que a gente se desentende...hahaha

Vou falar então sobre meu melhores presentes.

No meu guarda roupa há uma caixa, pequena, bem pequena. É lá que eu guardo o meu Diário, minhas fotos, meus amores, meus melhores presentes. É verdade que eu nunca liguei muito pra coisas que só o dinheiro pode comprar, devo isso a minha família que, me ensinou desde cedo que o legal do presente não é o objeto em si e sim o gesto infundido nele. E aí se explica o fato de minha caixinha de preciosidades ser pequena, bem pequena. O pequeno é o tamanho ideal para se colocar cartas de amigos, conchinha, papel de bombom, fotos, lembranças...O pequeno é o suficiente para se chegar ao infinito.
Madre Teresa dizia que "não é possível se fazer uma grande coisa, mas é possível se fazer uma pequena coisa com muito amor". Ela matou a charada. A atitude do amor é a única coisa que realmente interessa nesse mundo.


Já experimentei os mais diversos amores, muitos deles foram levados de mim pela vida, mas os amores recebidos vivem aqui dentro com toda força: meus amores estão nas fotos, nos objetos que talvez possam lhes parecer insignificantes, no entanto, à mim, justificam toda uma vida.

 Mas sobretudo e tanto, meus amores vivem na minha memória...Dentro de mim, nas minhas transformações interiores...


Eu gosto de ganhar palavras, poesias, verbos, e gosto de doá-los também, mesmo que de forma desajeitada. Gosto de dizer o que sinto. Tive de aprender por ter aprendido que as pessoas se vão e que, às vezes, pode ficar tarde demais.

E há algo maravilhoso em você pegar coisas que lhe foram escritas há alguns anos para a releitura. Não que eu viva do passado, sou como mestre Paulinho da Viola: "Não vivo de passado, o passado vive em mim".


Gosto também de ganhar melodias, talvez porque os dois primeiros presentes que ganhei quando nasci foram justamente notas musicais, dadas pelo meu pai e pelo meu tio.

Música...Eu já lhes contei que ganhei música logo que vim ao mundo? Pois é... A música que ganhei de meu pai se chama "Presente", não tem letra, e é mais minha do que qualquer canção minha, do meu tio ganhei a "Para Ficar" que também é mais minha do que se fosse de fato. Acho que foi a partir daí que minha alma começou a colecionar a beleza das atitudes, a beleza do carinho, da atenção, do afeto e das canções. Graças a Deus.

É por isso que afirmo : Eu jamais rasgaria uma carta, um poema, uma folha com palavras...E jamais dispensaria uma oportunidade de estar perto de quem gosto, não mesmo.

Sou palhaça, sei, tenho um jeito as vezes arredio, sei também, mas, entendo a linguagem do sentimento, ainda que não pareça, embora, creio, meus sentimentos não são nada discretos.


Bem, toda essa introdução foi discorrida com o único objetivo de dizer que meu coração pulsa mais feliz quando meus poetas, meus heróis, meus amigos me entregam uma folha com letras,a punho ou mesmo digitadas... E sabem de uma coisa? Ontem revivi a emoção de se ganhar uma música.

Mas.. peraí.  Não ganhei uma música...Ganhei uma MÚSICA LINDA, de Meyson - Querido amigo, querido poeta, músico necessário. Que presente mais grandioso!!!!

Me lembrei então das músicas do meu pai, do meu tio, dos meus também amados amigos Pedrão e PH, me lembrei da conchinha que o Arthur me trouxe: "fui pra praia pensei em você e te trouxe essa conchinha", lembrei do e-mail da Magali, minha professora de canto: "eu acredito muito em você", lembrei das palavras da Ká, da Orquídea trazida pela Neide que quase me diz "Bom dia" todos os dias, me lembrei da salada de frutas com o Nil, a Gabi e a Lú, das conversas com minha mãe, da minha cachorrinha, dos meus sobrinhos. Me dei conta de que minha caixinha pequena, bem pequena, tem todos os ingredientes necessários para se ter uma vida cheia de cores, cheiros , gostos e grandiosidades. São essas as lembranças que meus presentes em forma de palavras, de canções e de afetos me trazem.
Há quem não entenda...





Quinta-feira , 26 de Outubro de 2006

O Feiticeiro...

Porque é ele quem me tira o sono
E derrama poesia nos meus olhos...
Porque é ele quem fortalece meu imaginário
E me faz perguntar a mim mesma:
- Como é que alguém consegue ser tão doce?
Salve Rubem Alves!!!





Domingo , 22 de Outubro de 2006

Amorecoooo

Ai, que vontade de falar palavrão, de chutar a parede, de comer todos os chocolates do mundo, vontade de te abraçar, de te ver, de te contar tudo o que eu tenho vivido. Vontade de receber seus torpedos aos sábados, de te ouvir brigar comigo, de te ver tirar sarro da minha cara, de passear com você, vontade de receber sua visita sem esperar por ela, de cantar a música que você gosta pra você, vontade de questionar suas opiniões e de te ter ao meu lado questionando as minhas, vontade de comer batata frita, de chorar...Eu tento não pensar em você, mas hoje sonhei contigo e no meu sonho você dizia "Eu também sinto saudade", acordei chorando, chorando a sua ausência, como vai ser agora? Me diz como vai ser? A minha caixinha de preciosidades está cada dia mais cheia da sua presença: lá está tudo o que você me deu, nossas fotos, suas cartas, a conchinha, o papel do bombom...Ai, que droga que droga que droga, é difícil sem você, é difícil...os bares já não são tão engraçados...Eu não me sinto sozinha, viu? O problema é que me sinto sem você. Sinto falta da sua doçura, do seu cuidado, sinto falta do seu carinho, sinto falta de planejar viagens, shows, carnavais.
Saudade ...
Será que onde você está tem Girassóis?
Será que você encontrou o seu A(n)genor?
E meu pai? Está por aí?
Meu avô?
Eu pedi pra eles cuidarem de você..Será que eles me ouviram?
E você? Me ouve?
Saudade...
Amor...




Sábado , 21 de Outubro de 2006

Um gosto de sol

   

         Na Foto: Neide Mattos          

Você conhece a Neide? Pois devia. Ela além de ser uma pessoa incrível e rara, é talentosa e generosa (combinação difícil nos dias de hoje).
A Neide me aproximou do Universo das Danças Brasileiras há pouco tempo, e mais do que isso, me aproximou mais do Brasil ao me apresentar bois, cirandas, côcos e maracatus - manifestações musicais envolventes e tão distantes do nosso dia a dia. Estou aprendendo a cantar alguns temas e brevemente estarei aprendendo a percussão e os passos de dança (Se tornou necessário!!).


Foi também graças a Neide que, de repente, me vi contando histórias de sambas e sambistas para um monte de crianças, e, me senti tão feliz ao me ver naquela situação...


É que é o seguinte: A Neide ministra um projeto cultural que tem como objetivo levar cultura brasileira para jovens, ou seja, este projeto coloca entre os dedos de um futuro homem- baquetas, caixas, pandeiros, chão, saias de chitas, canções, poesias, para que assim, quem sabe, a nossa cultura seja proliferada e caia em solos mais seguros num futuro próximo, em solos mais seguros do que os atuais...


É difícil não se emocionar ao olhar para aquelas crianças que fazem da carência carinho, crianças essas que eu já conhecia muito antes de encontrá-las - a cada história contada pela Neide, a cada foto, a cada sorriso emocionado da mestra orgulhosa, que, despertou em mim a vontade de estar na platéia da garotada.  E a pedido da minha amiga-mestra, acabei falando um pouquinho sobre o samba e cantando, e, para surpresa minha, vivi abraços puros, ricos e amorosos enquanto eu tirava melodias ao lado de Meyson, poeta, violonista, compositor, cantor, humano... ao lado de Paulo, percussionista, generosidade, sorriso, cultura, humano...


Quando por fim chegou a hora de nos despedirmos - um grupo de crianças pediu para o Meyson tocar violão e para eu cantar mais um pouquinho...Eu não estaria exagerando se dissesse que foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. E enquanto eu cantava, as crianças me abraçavam e, aquela imagem grudou na minha cabeça e não quer sair de mim de jeito nenhum. Também arrisquei passos de danças ao lado delas, que já estão afiadíssimas.


Obrigada Neide, Meyson e Paulo por me permitirem entrar dentro de um poema que se acaba jamais.





Segunda-feira , 09 de Outubro de 2006

"Tô" de Chico

Ontem fui ao show "Carioca" de Chico Buarque de Hollanda, que, com seus olhos brilhantes, surgiu de um cenário lindo apoiado a um jogo de luzes impecável. Tive a sensação de que, de repente, acordei num lugar nunca antes visitado.

Buarque começa a desfiar o seu repertório com um samba antiiiigo chamado "Voltei a cantar" (de Lamartine Babo) e, neste momento... Eu volto a chorar, mas dessa vez é de alegria. Eu que andei derramando tantas lágrimas de dor nos últimos tempos, eu que andei desacreditada com o mundo, com a música, com tudo...Eu acordei meus sonhos.
 
Enquanto ele canta "Eu te Amo", "As Vitrines", "Morro dois irmão", "O Futebol", "Futuros Amantes". "Mil perdões", "Ela é dançarina", "By by Brasil", "João e Maria", "Quem te viu, que te vê", "Sem compromisso", "Deixe a menina" entre todas as novas do seu mais recente trabalho, eu penso em todos os meus amigos que derramariam lágrimas comigo ao presenciar a mágica que agora vivo, penso em muita gente que eu gostaria que estivesse em meio a esse turbilhão de emoções. Penso ainda no quanto é bom estar viva pra testemunhar essa banda de outro planeta, pra ver o ídolo de frente, para sentir os meus braços se manifestarem com arrepios e os meus olhos se encherem d'agua de felicidade.

Chico me arranca sorrisos quando começa a cantar e percebe que sua voz está "pigarreando" na canção que diz "quando eu era moço...". O Mestre não tem dúvidas, pára a música e diz "Quando eu era moço a minha voz não falhava" , ele toma água, ri, a platéia ri junto, e a banda entende que já é hora de recomeçar, sem mesmo precisar de qualquer comando.

E que momento lindo se dá quando Chico chama o Wilson das Neves pra dividir os microfones com ele - num samba feito em parceria. Olha isso: Buarque e Das Neves. Você consegue imaginar? Wilson sai lá do fundo, lá de trás de sua bateria e toma a frente do palco, e grita bem alto "Que sorte, meu Deus" , enquanto isso  Chico o reverencia com as duas mãos, como se ele, Chico Buarque, fosse súdito daquele baterista, sambista,e compositor incrível que é Wilson das Neves. Chico Buarque já declarou várias vezes "Eu sou platéia do Wilson", agora o sambista devolve o carinho com o mesmo gesto de reverência. Valeu a pena ter pisado no Universo. Agora estou vivenciando um show a parte, Das Neves mostra que tem samba no pé e desafia Chico a arriscar uns passos. Pronto. Chico vira menino e começa a fazer um monte de graças, pára , olha das Neves Sambar, ensaia com as mãos, coloca um pé pra frente, levanta uma perna, morre de rir.

Estou sonhando...Chico anuncia o fim e eu sinto um aperto no coração, sabe quando você termina um livro lindo e pensa: "Como vai ser os meus dias sem essa história pra me acompanhar"?


Mas ele volta, ele faz o bis, três vezes, nós somos barulhentos, nós amamos nosso Chico Buarque do Brasil. Nós não deixamos ele ir embora. Mas as cortinas precisam se fechar, e eu fico assim, sem ter o que dizer, sem palavras, perplexa. Na promessa de que irei à Campinas pra ver tudo de novo. Chico voltou a cantar. Eu voltei a sonhar.





Terça-feira , 03 de Outubro de 2006

Olha aqui, presta atenção





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